quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ruído no ambiente escolar e suas implicações na aprendizagem



     Diversos estudos sobre questões biológicas e cognitivas envolvidas com o ensino referem que a aprendizagem não depende somente de técnicas pedagógicas, mas também de boas condições acústicas. Dessa maneira, durante o processo de aprendizagem, faz-se necessário que a mensagem emitida pelo professor seja recebida de forma clara pelo aluno. Em uma situação desfavorável em que há competição entre a fala do professor e os demais ruídos, o desempenho escolar pode sofrer interferência.

     Fatores acústicos como: níveis de ruído de fundo, tempo de reverberação e a relação sinal-ruído, afetam diretamente a comunicação em sala de aula. Quando os alunos não podem ouvir devidamente a mensagem falada, a habilidade de compreensão pode ser afetada e, consequentemente, seu progresso de aprendizagem pode ser prejudicado. Nesse ambiente, os alunos podem desenvolver dificuldades em escrever, ler, manter atenção e concentração, resultando em problemas disciplinares. As crianças em fase de alfabetização são as mais prejudicadas, pois se encontram em uma etapa de aquisição de vocabulários oral e escrito e de leitura. De igual modo, o professor também é afetado, pois necessita fazer ajustes na fala para projetar devidamente a sua voz e ser compreendido, aumentando as chances de desenvolver patologias vocais.

     Diferentes países, preocupados com a interferência do ruído no processo de aprendizagem, criaram normas ou decretos com o objetivo de estabelecer níveis de conforto acústico em salas de aula. Entretanto, apesar da existência dessas normas, pesquisas nacionais e internacionais demonstram que os níveis de ruído nas escolas ultrapassam o valor máximo sugerido nas legislações vigentes para ambientes fechados, bem como, nas salas de aula podendo causar efeitos tanto sobre o aluno quanto sobre o professor.

     Pesquisas recentes sobre a percepção auditiva de alunos e professores, relacionados aos níveis de pressão sonora presentes nas escolas e suas implicações na prática escolar, revelam queixas relacionadas aos professores como; abuso vocal e interferência na concentração, e aos alunos como; dificuldade em ouvir o professor durante a aula e interferência na aprendizagem, trazendo dificuldades escolares. Portanto, muitas das dificuldades escolares podem estar relacionadas ao tipo de ruído a que os alunos estão expostos. Cada tipo de ruído afeta áreas diferentes do trabalho escolar. Aqueles que estão mais expostos ao ruído do tráfego (rodoviário, aeronaves ou trens) apresentam maior dificuldade na sua capacidade de evocar e descrever o conteúdo de um texto. Aqueles que estão expostos ao ruído verbal apresentam deterioração na capacidade de ler e aprender um texto.

     Os efeitos do ruído nas salas de aula poderiam ser evitados se algumas ações fossem realizadas, exemplo: oferecer tratamento acústico para as salas de aula, reduzindo-se assim, os ruídos externos e desenvolver campanhas de conscientização para a redução de ruídos na escola, dentro e fora das salas de aula.


Fonte:
Jaroszewski GC, Zegelboim BL, Lacerda A. Ruído escolar e sua implicação na atividade de ditado. Revista Cefac, 2007.

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