quarta-feira, 24 de agosto de 2016

“Estou com dúvidas se meu filho tem apenas uma dificuldade ou transtorno. A quem recorrer?”

Identificando um padrão de comportamento. Fonte: Instituto ABCD

     Se você identificou alguma dificuldade no processo de aprendizagem de seu(sua) filho(a), o primeiro passo é descobrir a natureza do problema – somente identificando o que faz com que seu filho não aprenda é que você, os professores e os especialistas poderão oferecer uma ajuda mais eficiente e eficaz para que ele se desenvolva na escola e na vida.

     Assim, é muito importante uma conversa na escola, inicialmente com o professor ou professora de seu(sua) filho(a), pois certamente este profissional poderá oferecer informações e observações importantes sobre o comportamento e o desempenho escolar de seu(sua) filho(a). Essas informações poderão ajudá-lo a perceber se existe um padrão de comportamento, ou seja, se o comportamento e o desempenho na escola são parecidos com os apresentados em casa (observados durante a realização de lição de casa ou outra tarefa) ou em qualquer outro ambiente em que a criança ou o jovem conviva.

     Se seu filho ou filha já estiver no Ensino Fundamental II (a partir da 6ª série ou 7º ano), procure conversar com o(a) professor(a) que tem mais contato com seu filho (geralmente o(a) professor(a) de Português ou Matemática) ou mesmo com a coordenação pedagógica. Mesmo se a escola não demonstrar disponibilidade de recursos necessários para avaliar e realizar alguma intervenção, é necessário solicitar um relatório que descreva o desempenho e o comportamento observados, pois esse documento será de extrema relevância para a discussão do caso com a equipe de saúde.

     Na avaliação multidisciplinar da aprendizagem, a observação do(a) professor(a) também é fundamental para ajudar a definir a natureza e a implicação das dificuldades encontradas no aluno, já que é ele e os demais profissionais que acompanham a criança ou o jovem quem possuem o conhecimento técnico e prático sobre suas atividades. As informações fornecidas pelo(a) professor(a) possibilitam não apenas um conhecimento aprofundado sobre a criança/jovem, mas também a inserção de seu problema em um contexto que envolve o método de ensino utilizado pela escola, a classe onde a criança está, as atividades e as expectativas da escola com os alunos.

     Após o contato com a escola, é importante considerar com a equipe pedagógica a necessidade de encaminhamento para um profissional ou equipe que esteja fora do ambiente escolar e realize uma Avaliação Diagnóstica Multidisciplinar. Esse tipo de avaliação, de modo geral, envolve médicos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos, ou seja, profissionais especialistas em Transtornos Específicos de Aprendizagem e em avaliação psicológica/cognitiva.

     A necessidade de avaliação com esses diversos profissionais se dá porque as dificuldades podem ocorrer por múltiplas causas, como já descrito, além de o diagnóstico dos Transtornos Específicos de Aprendizagem basear-se em dados colhidos de diversas formas:

na história de vida, também chamada de Anamnese (histórico de como ocorreu o desenvolvimento e aquisição de habilidades);
na história da dificuldade de aprendizagem (quando teve início);
no impacto da dificuldade do funcionamento escolar;
em relatórios escolares, em portfólios de trabalhos;
em avaliações de base curricular e em avaliações com instrumentos normatizados e padronizados (nos quais é possível saber o desempenho esperado para cada idade ou nível escolar).

     Com essas avaliações e com todos esses dados em mãos será possível à equipe caracterizar as áreas de dificuldade e também os talentos de seu(sua) filho(a). Isso permitirá que os pontos fracos sejam enfrentados de modo mais eficaz ao se fazer uso das suas potencialidades. Assim, pode-se elaborar um plano de intervenção mais efetivo e motivador, já que a criança/jovem se sentirá mais confiante para enfrentar os desafios do dia a dia, aumentando as chances de ter avanços significativos.

Fonte:
Conversando com os pais sobre como lidar com a Dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem. Instituto ABCD.

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