terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ausente...



Olá!

     Nos próximos dias participarei do Brain Connection (Congresso internacional de neurociências e aprendizagem da infância e da adolescência). Retorno a escrever no blog dia 05/09!


Até!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Obrigada!



“Dê o primeiro passo acreditando no que está fazendo. Você não precisa ver a escada. Apenas dê o primeiro passo” (Dr. Martin Luther King, Jr)

     Quando terminei meu doutorado em fevereiro de 2016 e logo em seguida entreguei minha tese na pós graduação em março eu senti um “mix” de sensações: a primeira, uma alegria imensa; a segunda, um alívio (pois conduzir pesquisas requer uma dedicação “gigante”); e a terceira, uma tristeza “tamanha”. Pode parecer estranho, mas foi isso que me aconteceu. Ao entregar a versão impressa e digital na pós graduação eu senti um imenso sentimento de tristeza, principalmente ao ver que aquele conhecimento fantástico sobre “treinamento auditivo” ficaria “escondido” em alguma prateleira da biblioteca da faculdade de medicina da UFMG ou em alguma plataforma digital da Universidade. Voltei para casa pensativa naquele dia... Como eu poderia “apresentar” o conhecimento desenvolvido nos “últimos” anos? Foi ai que surgiu a ideia do blog!

     Dia 07/04/16 criei o blog com o objetivo de passar a outras pessoas o conhecimento que tinha sobre Audição, Linguagem e Neurofibromatoses.

     Desde este dia:

1. Foram publicados 82 textos;
2. 6 exercícios auditivos estão disponíveis para download gratuito;
3. O blog alcançou a marca de 20 mil visualizações em agosto;
4. Pacientes com Neurofibromatoses tem informações atualizadas sobre pesquisas e tratamentos relacionados a Fonoaudiologia!

     Muito obrigada as pessoas que acompanham diariamente o blog pelo e-mail; facebook ou intagram!

     Se você ainda não se cadastrou é fácil e rápido! Cadastre-se e receberá as atualizações automaticamente no seu e-mail!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Treinamento auditivo acusticamente controlado (formal) x Treinamento auditivo informal



     Olá! Muitas pessoas me perguntam a diferença entre o treinamento auditivo acusticamente controlado (formal) e o treinamento auditivo informal. De início posso informar que ambas as formas de intervenção para o distúrbio do processamento auditivo têm evidências científicas da sua eficácia, embora algumas pessoas julguem pelo nome que o treinamento auditivo “informal” é “inferior” ao treinamento acusticamente controlado, O QUE NÃO É VERDADE!

     Pesquisas recentes têm demonstrando evidências de que o treinamento auditivo pode melhorar vários processos auditivos, promovendo uma reorganização do substrato neural auditivo em indivíduos com distúrbio do processamento auditivo, distúrbio de linguagem e aprendizagem. Existem mudanças na morfologia e desempenho auditivo depois da rigorosa estimulação sonora. Cérebros de pessoas mais jovens possuem maior plasticidade e podem se alterar rapidamente, observando-se melhoras efetivas nas habilidades dos indivíduos submetidos ao treinamento auditivo.

     O treinamento auditivo pode ser realizado formalmente ou informalmente, sendo que a diferença entre estas duas abordagens envolve o nível de controle que é mantido ao longo do treinamento quanto aos estímulos utilizados e ao ambiente.

     O treinamento auditivo acusticamente controlado (formal) utiliza estímulos gravados (exemplos: tons, ruído, fala, dígitos) em mídias eletrônicas ou no próprio computador. Os estímulos devem ser controlados por meio de um audiômetro, para melhor precisão da intensidade, e de uma cabina acústica, para minimizar a interferência de ruídos externos. A dificuldade das atividades auditivas deve ser sempre modificada quando o score é obtido, a fim de promover o aprimoramento em determinada habilidade auditiva. Portanto, o treino auditivo segue uma hierarquia de complexidade.

     O treinamento auditivo informal é desenvolvido com tarefas baseadas em linguagem, enfatizando o uso do contexto linguístico para beneficiar a função auditiva. Pode ser realizado pelo fonoaudiólogo em clínica, em casa pelos pais ou na escola pelos professores, sob orientação. Não requer utilização de equipamentos específicos ou ambientes acusticamente controlados, podendo, desta forma, ser utilizado em maior escala e com menor custo.

     O que percebo, e que a literatura também aponta, é que a associação das duas formas de treinamento promove um maior benefício ao sistema auditivo e contribui de uma forma mais dinâmica nos casos de distúrbios de linguagem e aprendizagem.

     Abaixo deixo uma referência de artigo ótima para quem deseja aprofundar mais sobre o tema!

     Weihing J, Chermak GD, Musiek FE. Auditory training for central auditory processing disorder. Semin Hear. 2015;36(4):199-215.



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

“Estou com dúvidas se meu filho tem apenas uma dificuldade ou transtorno. A quem recorrer?”

Identificando um padrão de comportamento. Fonte: Instituto ABCD

     Se você identificou alguma dificuldade no processo de aprendizagem de seu(sua) filho(a), o primeiro passo é descobrir a natureza do problema – somente identificando o que faz com que seu filho não aprenda é que você, os professores e os especialistas poderão oferecer uma ajuda mais eficiente e eficaz para que ele se desenvolva na escola e na vida.

     Assim, é muito importante uma conversa na escola, inicialmente com o professor ou professora de seu(sua) filho(a), pois certamente este profissional poderá oferecer informações e observações importantes sobre o comportamento e o desempenho escolar de seu(sua) filho(a). Essas informações poderão ajudá-lo a perceber se existe um padrão de comportamento, ou seja, se o comportamento e o desempenho na escola são parecidos com os apresentados em casa (observados durante a realização de lição de casa ou outra tarefa) ou em qualquer outro ambiente em que a criança ou o jovem conviva.

     Se seu filho ou filha já estiver no Ensino Fundamental II (a partir da 6ª série ou 7º ano), procure conversar com o(a) professor(a) que tem mais contato com seu filho (geralmente o(a) professor(a) de Português ou Matemática) ou mesmo com a coordenação pedagógica. Mesmo se a escola não demonstrar disponibilidade de recursos necessários para avaliar e realizar alguma intervenção, é necessário solicitar um relatório que descreva o desempenho e o comportamento observados, pois esse documento será de extrema relevância para a discussão do caso com a equipe de saúde.

     Na avaliação multidisciplinar da aprendizagem, a observação do(a) professor(a) também é fundamental para ajudar a definir a natureza e a implicação das dificuldades encontradas no aluno, já que é ele e os demais profissionais que acompanham a criança ou o jovem quem possuem o conhecimento técnico e prático sobre suas atividades. As informações fornecidas pelo(a) professor(a) possibilitam não apenas um conhecimento aprofundado sobre a criança/jovem, mas também a inserção de seu problema em um contexto que envolve o método de ensino utilizado pela escola, a classe onde a criança está, as atividades e as expectativas da escola com os alunos.

     Após o contato com a escola, é importante considerar com a equipe pedagógica a necessidade de encaminhamento para um profissional ou equipe que esteja fora do ambiente escolar e realize uma Avaliação Diagnóstica Multidisciplinar. Esse tipo de avaliação, de modo geral, envolve médicos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos, ou seja, profissionais especialistas em Transtornos Específicos de Aprendizagem e em avaliação psicológica/cognitiva.

     A necessidade de avaliação com esses diversos profissionais se dá porque as dificuldades podem ocorrer por múltiplas causas, como já descrito, além de o diagnóstico dos Transtornos Específicos de Aprendizagem basear-se em dados colhidos de diversas formas:

na história de vida, também chamada de Anamnese (histórico de como ocorreu o desenvolvimento e aquisição de habilidades);
na história da dificuldade de aprendizagem (quando teve início);
no impacto da dificuldade do funcionamento escolar;
em relatórios escolares, em portfólios de trabalhos;
em avaliações de base curricular e em avaliações com instrumentos normatizados e padronizados (nos quais é possível saber o desempenho esperado para cada idade ou nível escolar).

     Com essas avaliações e com todos esses dados em mãos será possível à equipe caracterizar as áreas de dificuldade e também os talentos de seu(sua) filho(a). Isso permitirá que os pontos fracos sejam enfrentados de modo mais eficaz ao se fazer uso das suas potencialidades. Assim, pode-se elaborar um plano de intervenção mais efetivo e motivador, já que a criança/jovem se sentirá mais confiante para enfrentar os desafios do dia a dia, aumentando as chances de ter avanços significativos.

Fonte:
Conversando com os pais sobre como lidar com a Dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem. Instituto ABCD.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Dica de livro!



     A dica de hoje é ótima para fonos, médicos, professores e profissionais que trabalham com educação! É o livro: “Neurociência e educação: como o cérebro aprende”. Esse livro é fantástico! Eu tenho, gosto muito e indico. Foi escrito pelos doutores Ramon Cosenza e Leonor Guerra, ambos professores da Universidade Federal de Minas Gerais e que se dedicaram aos estudos da neurociência. O livro é composto de 12 capítulos que perpassam desde a organização geral, morfológica e funcional do sistema nervoso, até os processos neurobiológicos da leitura e as dificuldades de aprendizagem.

     Vale a pena a aquisição!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

“A borboleta azul” – Atividade de leitura para download gratuito


"Incentivar as crianças o gosto pela leitura é plantar uma semente com a certeza de que dará bons frutos!"

     A atividade para download gratuito é com base no livro “A borboleta azul” da autora Júlia Vehuaiah. Com esta atividade, o Fonoaudiólogo poderá desenvolver a evocação, compreensão, noção de sintaxe em diferentes níveis de complexidade, trabalhar a elaboração e sequencialização de enunciados e treinar o aprendizado do esquema narrativo.

     A atividade para download gratuito é composta de:

1) Livro "A borboleta azul";
2) PDF com as orientações.


     A atividade será disponibilizada somente para fonoaudiólogos! Aqueles já cadastrados no blog receberão a atividade automaticamente no e-mail, aqueles que desejarem se cadastrar para receber esta atividade e as próximas basta se cadastrar no blog (veja orientações na figura abaixo).



 Quer receber somente esta atividade? Envie-me um e-mail (pollyannabatista@hotmail.com) com seu nome completo e o número do seu registro no conselho de fonoaudiologia!


     Positiva terapia!



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Quando suspeitar que algo não vai bem na aprendizagem?



     As dificuldades escolares podem ser decorrentes de diversos motivos, como a falta de interesse, o desempenho global prejudicado, problemas de atenção, dificuldades para compreender o que se pede ou até mesmo para fazer algumas tarefas. Assim, quando falamos sobre problemas de aprendizagem, estamos nos referindo a algo extremamente amplo que envolve causas variadas.

     Ter prontidão para o aprendizado escolar (ou aprendizado formal) significa que a criança está apta e possui habilidades para realizar determinadas tarefas, ou seja, as funções necessárias para a realização dessas tarefas estão maduras o suficiente para que essas atividades sejam desenvolvidas de modo adequado.

     Desta forma, quando os processos envolvidos no desenvolvimento não estão maduros para que os desafios escolares (por mais simples que sejam) possam ser enfrentados e superados com excelência, a criança pode apresentar manifestações comportamentais que sinalizam esse desconforto, como relutância em envolver-se na aprendizagem, resistência para ir à escola, comportamento de oposição em sala de aula ou ao fazer as lições de casa. Em geral, não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizado dos seus colegas e tendem a ficar mais agitadas e/ou distraídas, algo que faz com que os pais passem a ser chamados para reuniões na escola com mais frequência.

     Se essa dificuldade é atendida adequadamente pelo professor ou conta com o apoio especializado de um profissional da saúde, como um psicólogo ou um fonoaudiólogo, por exemplo, tende a ser sanada na grande maioria dos casos. Todavia, no caso da Dislexia, assim como de outros Distúrbios Específicos de Aprendizagem, o acompanhamento deve ser ainda mais intenso para que a criança ou jovem seja capaz de criar estratégias para enfrentar sua dificuldade com mais segurança e eficácia.

     Justamente por conta disso, é essencial que o problema seja identificado o mais precocemente possível, e a criança ou jovem receba a intervenção necessária antes que as consequências emocionais e acadêmicas sejam muito prejudiciais. Além disso, é essencial a participação dos pais neste processo de descoberta: compreender a dificuldade da criança, acolhê-la e buscar o tratamento especializado são os primeiros passos para a superação desse desafio.

Identificando comportamentos sugestivos de dificuldades:

Percepções cotidianas
identificar os dias da semana e os meses do ano (noção de tempo);
reproduzir uma história na sequência correta;
seguir ordens e rotinas;
desenvolver a noção de orientação espacial, provocando confusão com localizações e direções;
inverter os pés ao calçar sapatos ou confundir direita/esquerda, em cima/embaixo (lateralidade);
perceber o esquema corporal;
lidar com padrões de sons que se repetem, como acompanhar o ritmo em uma música;
aprender canções com rima.

Linguagem
demonstrar atraso na aquisição da fala;
persistir em uma fala infantilizada;
trocar sons ao pronunciar determinadas palavras;
demonstrar dificuldades para nomear objetos;
utilizar expressões amplas: “lá naquele lugar”;
usar os substitutos “coisa”, “negócio”, “treco” etc.;
substituir palavras semanticamente parecidas: falar cadeira em vez de poltrona.

Atividades corporais
dificuldade para amarrar cadarços de sapato (Coordenação Motora Ampla);
falta de precisão para agarrar objetos arremessados no ar (Coordenação Motora Fina).

Situações que envolvem leitura e escrita
assistir a um filme com legenda;
aprender um novo idioma.



Fonte:
Conversando com os pais sobre como lidar com a Dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem. Instituto ABCD.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

6 livros infantis para estimular a leitura dos pequenos!


     A dica de hoje é para estimular a leitura das crianças! Selecionei 6 livros da autora Lenira Almeida Heck (conhecida também por Júlia Vehuiah) que é escritora, professora e contadora de histórias. Lenira escreveu diversas obras dirigidas às crianças com temas do universo infantil. Com estes livros você poderá estimular a fluência na leitura, expandir o vocabulário, ampliar o reconhecimento automático das palavras, construir motivação e interesse pela leitura, além de promover gradativamente a autoconfiança e autonomia durante a tarefa de leitura.
   
     Seguem os links para download completo e gratuito das obras da Lenira Heck:

     O mistério do anel de pérola (clique aqui)
     As abelhas e as formigas (clique aqui)
     O galo Tião e a vaca malhada (clique aqui)
     O peixinho e o gato (clique aqui)
     O ratinho roi-roi (clique aqui)


     Se você gostou da dica compartilhe!

     Até!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Dificuldades para aprender de um novo idioma e o distúrbio do processamento auditivo



     Tenho recebido muito no consultório pessoas com queixas relacionadas a aprendizagem de um segundo idioma. As queixas variam desde: “não consigo a entonação!”, “tenho dificuldade com a gramática”, “compreendo bem e tenho dificuldades para manter uma conversação”, “tenho dificuldades nas atividades de escuta” e outras mais.

     É frequente estas pessoas estudarem um outro idioma por anos, fazerem atividades de conversação e experiências de intercâmbio, mas mesmo assim sentem-se inseguras para se expressar e manter um diálogo. Algumas acreditam que é por falta de treino e manter um estudo constante, mas essa dificuldade pode ser devido a dificuldades no processamento auditivo.

     Em alguns outros textos que publiquei aqui no blog, expliquei o que é o processamento auditivo. Basicamente o processamento auditivo envolve, além da percepção sonora, uma capacidade identificação, localização, atenção, análise, memorização e recuperação da informação auditiva. Ademais, está ainda relacionado à maneira pela qual aplicamos nosso conhecimento prévio com vistas a um melhor entendimento da mensagem, e como a informação auditiva é integrada e associada aos estímulos visuais e a outros sensoriais.

     Quando somos “expostos” a um novo idioma somos “expostos” a um novo sistema fonético, a uma nova prosódia e uma nova estrutura sintática, semântica e lexical, não é mesmo? A demanda linguística aumenta e o processamento auditivo adequado é requerido para “processar” esse “bum” de informações novas! E o que acontece quando o processamento auditivo “não está 100 %”? Começamos a ter dificuldades!

     Há outros aspectos que também podem estar relacionados com a dificuldade de aprender um segundo idioma, mas deixarei para explicar em outro texto! Quem quiser ler mais um pouquinho sobre o tema, deixo abaixo sugestões de leitura! A primeira é a minha monografia, ok?

     Até!

Referências:

Batista PB, Lemos SMA. Relação entre a autopercepção da aprendizagem do inglês e avaliação das habilidades auditivas, consciência fonológica e inventário fonológico (2009).

Onoda RM, Pereira LD, Guilherme A. Reconhecimento de padrão temporal e escuta dicótica me descendentes de japoneses, falantes e não-falantes da língua japonesa (2006).

Araújo LMM, Feniman MR, Carvalho FRP, Lopes-Herrera AS. Ensino da língua inglesa: contribuições da fonética, fonologia e do processamento auditivo (2010).

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ruído no ambiente escolar e suas implicações na aprendizagem



     Diversos estudos sobre questões biológicas e cognitivas envolvidas com o ensino referem que a aprendizagem não depende somente de técnicas pedagógicas, mas também de boas condições acústicas. Dessa maneira, durante o processo de aprendizagem, faz-se necessário que a mensagem emitida pelo professor seja recebida de forma clara pelo aluno. Em uma situação desfavorável em que há competição entre a fala do professor e os demais ruídos, o desempenho escolar pode sofrer interferência.

     Fatores acústicos como: níveis de ruído de fundo, tempo de reverberação e a relação sinal-ruído, afetam diretamente a comunicação em sala de aula. Quando os alunos não podem ouvir devidamente a mensagem falada, a habilidade de compreensão pode ser afetada e, consequentemente, seu progresso de aprendizagem pode ser prejudicado. Nesse ambiente, os alunos podem desenvolver dificuldades em escrever, ler, manter atenção e concentração, resultando em problemas disciplinares. As crianças em fase de alfabetização são as mais prejudicadas, pois se encontram em uma etapa de aquisição de vocabulários oral e escrito e de leitura. De igual modo, o professor também é afetado, pois necessita fazer ajustes na fala para projetar devidamente a sua voz e ser compreendido, aumentando as chances de desenvolver patologias vocais.

     Diferentes países, preocupados com a interferência do ruído no processo de aprendizagem, criaram normas ou decretos com o objetivo de estabelecer níveis de conforto acústico em salas de aula. Entretanto, apesar da existência dessas normas, pesquisas nacionais e internacionais demonstram que os níveis de ruído nas escolas ultrapassam o valor máximo sugerido nas legislações vigentes para ambientes fechados, bem como, nas salas de aula podendo causar efeitos tanto sobre o aluno quanto sobre o professor.

     Pesquisas recentes sobre a percepção auditiva de alunos e professores, relacionados aos níveis de pressão sonora presentes nas escolas e suas implicações na prática escolar, revelam queixas relacionadas aos professores como; abuso vocal e interferência na concentração, e aos alunos como; dificuldade em ouvir o professor durante a aula e interferência na aprendizagem, trazendo dificuldades escolares. Portanto, muitas das dificuldades escolares podem estar relacionadas ao tipo de ruído a que os alunos estão expostos. Cada tipo de ruído afeta áreas diferentes do trabalho escolar. Aqueles que estão mais expostos ao ruído do tráfego (rodoviário, aeronaves ou trens) apresentam maior dificuldade na sua capacidade de evocar e descrever o conteúdo de um texto. Aqueles que estão expostos ao ruído verbal apresentam deterioração na capacidade de ler e aprender um texto.

     Os efeitos do ruído nas salas de aula poderiam ser evitados se algumas ações fossem realizadas, exemplo: oferecer tratamento acústico para as salas de aula, reduzindo-se assim, os ruídos externos e desenvolver campanhas de conscientização para a redução de ruídos na escola, dentro e fora das salas de aula.


Fonte:
Jaroszewski GC, Zegelboim BL, Lacerda A. Ruído escolar e sua implicação na atividade de ditado. Revista Cefac, 2007.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Neurofibromatose tipo 1 e o início da alfabetização: o que é importante observar



     O que tenho orientado aos pais de crianças (5-6 anos) no início da alfabetização é que eles devem ficar atentos ao desenvolvimento das habilidades auditivas e ao desenvolvimento de linguagem dos seus filhos. É recomendado que nesta faixa etária o paciente passe por uma avaliação fonoaudiológica, pois 84 % dos pacientes avaliados no Centro de Referência em Neurofibromatoses de Minas Gerais (CRNF MG) apresentaram alterações relevantes no processamento auditivo impactando consideravelmente no desenvolvimento de linguagem e aprendizagem!

     Por isso sugiro que nesta faixa etária sejam avaliados os seguintes pontos:

1- Consciência fonológica;
2- Consciência sintática;
3- Linguagem receptiva;
4- Linguagem expressiva;
5- Audição periférica;
6- Processamento auditivo (triagem).

   Dúvidas podem ser direcionadas para o meu e-mail: pollyannabatista@hotmail.com.

     Quer saber um pouco mais sobre o desenvolvimento de linguagem? Acesse o texto que escrevi sobre este assunto: http://pollyannabatistafonoaudiologa.blogspot.com.br/2016/07/o-desenvolvimento-da-linguagem.html  

     
     Até!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Ivo Pitanguy




     No sábado, dia 06/08/16, faleceu o renomado cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Em 2012 ele esteve em Belo Horizonte, participou e palestrou no II Simpósio sobre Neurofibromatoses e grandiosamente recebeu junto com o Dr. Mauro Geller o troféu Mônica Bueno por suas contribuições para as Neurofibromatoses!

      Nosso eterno agradecimento!


Da esquerda para a direita: Fga. Pollyanna Batista, Dr. Ivo Pitanguy e Dra. Livia Pousas.



Temas da semana!



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

“Tesoura não é cenoura”! Uma fantástica atividade para trabalhar rima de uma forma divertida!



     O exercício que preparei para disponibilizar para download hoje é a atividade com base no áudio “tesoura não é cenoura”. Com esta atividade, você fonoaudiólogo poderá estimular rimas, atenção auditiva, discriminação, memória auditiva e é claro... muita imaginação! Quem já é cadastrado no blog receberá automaticamente a atividade para download no e-mail. Quer receber somente esta atividade? Mande-me um e-mail (pollyannabatista@hotmail.com) com seu nome completo e  registro no conselho de fono que encaminharei os links para download!

     Positiva terapia!

     Até!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A atenção e suas implicações na aprendizagem


     Hoje vou comentar um pouquinho sobre a atenção e sua importância no desenvolvimento da aprendizagem! O nosso cérebro não tem necessidade nem capacidade de processar todas as informações que chegam até ele. Por meio da atenção ele pode dedicar-se às informações importantes, ignorando as que são desnecessárias. Quer um exemplo? Pense na roupa que você está vestindo agora! Seu tecido impressiona nossos receptores táteis todo o tempo, mas de modo geral não percebemos essa estimulação! Contudo, agora que mencionei o fato da “roupa”, não tenho dúvidas que você tornou consciente sua percepção e direcionou o foco da sua atenção para isso!

     O sistema nervoso pode fazer a seleção da informação por meio de vários mecanismos! A informação chega ao cérebro por meio de cadeias neuronais cujas estações sinápticas podem ser inibidas, impedindo que ela atinja a região em que se tornaria consciente Existem centros nervosos reguladores do processo, de modo que podemos, conscientemente dirigir a atenção a determinados estímulos enquanto ignoramos outros. Além disso, os próprios receptores sensoriais costumam se adaptar a uma estimulação prolongada, que deixa então de ser percebida!

     O cérebro não é um fenômeno unitário e existem diferentes mecanismos pelos quais ela pode se regular. Uma maneira de classificar a atenção é entre atenção reflexa, comandada por estímulos periféricos, e atenção voluntária, cujos mecanismos de controles são centrais.

     Existem pelo menos três circuitos nervosos importantes para o fenômeno da atenção! O primeiro mantém os níveis de vigilância ou alerta. O segundo é orientador e desliga o foco da atenção de um ponto e dirige-o em outro sentido, permitindo ainda uma maior discriminação do item a ser observado. O terceiro é o circuito executivo, que mantém a atenção e inibe os distraidores até que o objetivo seja alcançado.

     O cérebro é um dispositivo criado ao longo da evolução para observar o ambiente e apreender o que for importante para a sobrevivência do indivíduo ou da espécie. Ele prestará atenção no que for julgado relevante ou com significância.

     Terá mais chance de ser considerado como significante e, portanto, alvo da atenção, aquilo que faça sentido no contexto em que vive o indivíduo, que tenha ligações com o que já é conhecido, que atenda a expectativas ou que seja estimulante e agradável!


Referência:
Consenza, RM; Guerra, LB. Neurociência e educação: Como o cérebro aprende. Artmed, 2011.

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