quarta-feira, 29 de junho de 2016

Atuação fonoaudiológica nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF)




    
     No último congresso de Fonoaudiologia da UFMG, que aconteceu em maio de 2016, o fonoaudiólogo Tiago Costa Pereira (CRFa 6 – 7101) apresentou uma palestra muito esclarecedora sobre Fonoaudiologia e Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). O fonoaudiólogo Tiago é mestre em Ciências Fonoaudiológicas, especializando em Audiologia, especializado em Motricidade Orofacial e Disfagia e tem uma considerável experiência em relação ao NASF. Sabendo da importância do Fonoaudiólogo junto aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, convidei o respectivo fonoaudiólogo a escrever um texto sobre o assunto para o blog! Ele aceitou o convite prontamente e gentilmente escreveu um texto fantástico sobre o assunto, ao qual compartilho logo abaixo! Vale muito a pena a leitura!

Fonoaudiologia e NASF

     A Fonoaudiologia atualmente está inserida na atenção básica de saúde por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, conhecidos nacionalmente pela sigla NASF. Entretanto, é importante destacar que as práticas fonoaudiológicas no Brasil, voltadas para a saúde pública são mais antigas. Há relatos na literatura de ações em saúde pública nas décadas de 60 e 70. Contudo, com a publicação da Constituição Federal em 1988, momento em que a saúde passou a ser dever do Estado em promover, surgiram em São Paulo os primeiros concursos públicos e por meio deles vários fonoaudiólogos foram contratados e lotados em centros de saúde.
     À época, o trabalho era exclusivamente ambulatorial. Os profissionais mantinham o modelo de atendimento ao público da mesma maneira que atendiam seus pacientes em consultórios particulares. Esse foi um paradigma que ao longo dos anos e com o avanço dos estudos epidemiológicos foi sendo rompido, pois os trabalhos de promoção de saúde e prevenção de agravos precisam ser ampliados à população atendida de uma maneira geral, o que só pode ser atingido por outras metodologias de trabalho diferente do atendimento fonoaudiológico clínico.
     Sendo assim, o profissional deve desenvolver ações voltadas para a população da área de abrangência do centro de saúde ao qual ele está lotado. É fundamental ter conhecimento sobre os conceitos de territorialização, vulnerabilidade e principalmente das diretizes do SUS. A metodologia de trabalho empregada deve ser única e exclusivamente voltada para a promoção de saúde, educação em saúde e prevenção de agravos e o fonoaudiólogo precisa, com base nessa proposta metodológica, estabelecer um link entre as áreas de competência da sua profissão e a necessidade da população atendida.
     Um outro fato que merece destaque é o perfil do profissional para esse trabalho. É necessário que o profissional seja generalista e consiga fazer os trabalhos de orientação a partir de qualquer área da Fonoaudiologia e em todas para todas as faixas etárias. Para isso, existem disponíveis os cursos de especialização, as residências em saúde e até mesmo as supervisões com outros profissionais.

Referências bibliográficas:

Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde (Regina Penteado e Emilse Servilha).

Os conceitos de vulnerabilidade e adesão na saúde coletiva (Maria Rita Bertolozzi et al.)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores