quinta-feira, 30 de junho de 2016

Desenvolvimento da consciência fonológica na criança surda




A consciência fonológica é a capacidade de segmentar de modo consciente as palavras em suas menores unidades, em sílabas e em fonemas. Para a criança aprender a ler, ela precisa estabelecer correspondência entre código escrito e código oral. Várias habilidades estão envolvidas nesse contexto. A capacidade de segmentar fonemas, a manipulação de sílabas e a construção de rimas fazem com que ocorra o despertar da consciência fonológica, que se compreenda que as palavras são constituídas por unidades menores, as quais combinam-se entre si dando origem a outras palavras. Este processo de codificação, decodificação, comparação e reconhecimento permite que a escrita seja processada. Portanto, a consciência fonológica serve muito bem para os ouvintes representarem, de maneira intuitiva, as propriedades fonológicas da língua falada. Será que, com crianças surdas, esse processo ocorre da mesma forma? Espera-se que, ao alfabetizar uma criança surda, essa apresente o mesmo potencial de leitura e escrita. Enquanto a criança ouvinte recorre aos sons da sua fala interna, não se sabia se a criança surda recorria somente às propriedades visuais de sinalização para processar a escrita!
A literatura ainda não tem fornecido sólidas evidências a respeito da existência da consciência fonológica em crianças surdas. Entretanto, observa se que elas aprendem a ler quando estão na escola, o que permite inferir que, talvez, tenham algum nível de consciência fonológica, porém, sem afirmar que a relação entre essa e a leitura ocorre da mesma maneira que em crianças ouvintes. O estudo conduzido por Allman em 2002 diz que ainda não se conhece claramente como as crianças surdas organizam a informação fonológica do idioma falado e em que ponto isso se constitui em fator crítico para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Para Leybaert (1993) elas adquirem a consciência fonológica de maneira particular, combinando a informação recebida por meio da leitura labial, do alfabeto manual, da fonoarticulação e da exposição à leitura. Segundo Harris e Moreno (2004) muitos estudos já têm provado que a maioria das crianças surdas encontra dificuldades para ler. E há muitas dúvidas sobre o porquê desta tarefa ser tão difícil para elas. Um dos pontos principais seria o tipo de estratégia que elas desenvolvem para aprender a ler. Há maior heterogeneidade entre a população surda acerca disso do que na de ouvintes, para as quais já é bastante conhecida e estudada a importância da relação entre letras e sons.
Segundo Transler, Leybaert e Gombert (1999), para ler as crianças ouvintes utilizam um processo de decodificação que se baseia na correspondência entre o que está escrito e a forma fonológica de cada item. De fato a utilização deste processo de associação fonológica requer um desenvolvimento prévio da sensibilidade da criança para a estrutura fonológica da língua falada. A grande questão é se surdas também usam tal processo para ler, visto que estas não têm domínio da linguagem falada. Assim, estudos que visem verificar as habilidades de consciência fonológica não apenas em crianças ouvintes, mas nas surdas são importantes à medida que podem, indiretamente, facilitar o processo de aquisição de leitura e escrita delas. Uma solução prática proposta pela literatura para esta dificuldade com as habilidades de consciência fonológica seria o seu treinamento o mais cedo possível para aprimorar a habilidade de leitura.
Neste caso, o treino também seria uma forma eficiente de se prevenir e/ou remediar as dificuldades de leitura e escrita, por atuar diretamente sobre a consciência fonológica. Diversos estudos têm buscado descobrir a melhor forma de realizar um treinamento das habilidades de consciência fonológica, em diversas idades e fases de alfabetização, visando facilitar o desenvolvimento da leitura e da escrita. Em geral, eles envolvem atividades simples, lúdicas e comumente realizadas em sala de aula por muitos professores, de forma estruturada e respeitando o grau de dificuldade exigido para cada habilidade.
Questões como: Quais habilidades são necessárias para que uma criança surda usuária de LIBRAS aprenda a ler e a escrever em português? Se o aprendizado da linguagem é um processo complexo para crianças nascidas com deficiência auditiva, qual o nível de dificuldade esperado para aquisição de linguagem escrita, uma vez que a literatura considera essencial o domínio de linguagem (oral ou de sinais) para aprender a ler e escrever? Há algum tipo de consciência fonológica que auxilie essas crianças na tarefa? Há mecanismos ou rotas diferentes para a aprendizagem de leitura e escrita que são utilizadas por crianças surdas? O uso de treinos de habilidades de consciência fonológica, que sabidamente auxiliam no desempenho dessas habilidades para crianças ouvintes, poderia auxiliar também crianças surdas? E outras questões a respeito de como crianças surdas aprendem a ler e escrever ainda se encontram sem respostas!!

Informações extraídas dos seguintes artigos:

Desenvolvimento da consciência fonológica da criança surda. (Mendes et al., 2003), Revista Cefac.

Programa de treinamento de consciência fonológica para crianças surdas bilíngues. (Souza e Bandini, 2007). Disponível em www.scielo.br/paideia.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Atuação fonoaudiológica nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF)




    
     No último congresso de Fonoaudiologia da UFMG, que aconteceu em maio de 2016, o fonoaudiólogo Tiago Costa Pereira (CRFa 6 – 7101) apresentou uma palestra muito esclarecedora sobre Fonoaudiologia e Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). O fonoaudiólogo Tiago é mestre em Ciências Fonoaudiológicas, especializando em Audiologia, especializado em Motricidade Orofacial e Disfagia e tem uma considerável experiência em relação ao NASF. Sabendo da importância do Fonoaudiólogo junto aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, convidei o respectivo fonoaudiólogo a escrever um texto sobre o assunto para o blog! Ele aceitou o convite prontamente e gentilmente escreveu um texto fantástico sobre o assunto, ao qual compartilho logo abaixo! Vale muito a pena a leitura!

Fonoaudiologia e NASF

     A Fonoaudiologia atualmente está inserida na atenção básica de saúde por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, conhecidos nacionalmente pela sigla NASF. Entretanto, é importante destacar que as práticas fonoaudiológicas no Brasil, voltadas para a saúde pública são mais antigas. Há relatos na literatura de ações em saúde pública nas décadas de 60 e 70. Contudo, com a publicação da Constituição Federal em 1988, momento em que a saúde passou a ser dever do Estado em promover, surgiram em São Paulo os primeiros concursos públicos e por meio deles vários fonoaudiólogos foram contratados e lotados em centros de saúde.
     À época, o trabalho era exclusivamente ambulatorial. Os profissionais mantinham o modelo de atendimento ao público da mesma maneira que atendiam seus pacientes em consultórios particulares. Esse foi um paradigma que ao longo dos anos e com o avanço dos estudos epidemiológicos foi sendo rompido, pois os trabalhos de promoção de saúde e prevenção de agravos precisam ser ampliados à população atendida de uma maneira geral, o que só pode ser atingido por outras metodologias de trabalho diferente do atendimento fonoaudiológico clínico.
     Sendo assim, o profissional deve desenvolver ações voltadas para a população da área de abrangência do centro de saúde ao qual ele está lotado. É fundamental ter conhecimento sobre os conceitos de territorialização, vulnerabilidade e principalmente das diretizes do SUS. A metodologia de trabalho empregada deve ser única e exclusivamente voltada para a promoção de saúde, educação em saúde e prevenção de agravos e o fonoaudiólogo precisa, com base nessa proposta metodológica, estabelecer um link entre as áreas de competência da sua profissão e a necessidade da população atendida.
     Um outro fato que merece destaque é o perfil do profissional para esse trabalho. É necessário que o profissional seja generalista e consiga fazer os trabalhos de orientação a partir de qualquer área da Fonoaudiologia e em todas para todas as faixas etárias. Para isso, existem disponíveis os cursos de especialização, as residências em saúde e até mesmo as supervisões com outros profissionais.

Referências bibliográficas:

Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde (Regina Penteado e Emilse Servilha).

Os conceitos de vulnerabilidade e adesão na saúde coletiva (Maria Rita Bertolozzi et al.)


terça-feira, 28 de junho de 2016

Curso de Capacitação em Neurofibromatoses 2016



     Ocorre sempre no último sábado do mês, às 14 h, na Faculdade de Medicina da UFMG o curso de Capacitação em Neurofibromatoses organizado pela AMANF (Associação Mineira de Apoio as pessoas com Neurofibromatoses) e o CRNF (Centro de Referência em Neurofibromatoses de Minas Gerais). O curso começou em fevereiro deste ano, e tem programação até novembro. Neste último sábado (26/06/16) eu participei e compartilhei um pouco do conhecimento que tenho sobre processamento auditivo, linguagem e aprendizagem. Elaborei um material informativo e que pode ser baixado gratuitamente no link: https://www.dropbox.com/s/4dl6sxzx7ct8nkk/Curso%20de%20Capacita%C3%A7%C3%A3o%20230616.pdf?dl=0. Próximo mês o curso contará com a presença do médico Gustavo Lages (Clínica DOR do HC UFMG) e do neurocirurgião Eric Morato. A programação do curso segue abaixo. Informações adicionais podem ser obtidas no blog do Dr. Luiz Oswaldo Rodrigues: http://lormedico.blogspot.com.br/.



quinta-feira, 23 de junho de 2016

Audio #3: Atividade de treinamento auditivo para download



     Já está disponível para download o #AUDIO 3! O último exercício da série de 3 áudios que elaborei com sons do violino que tem como objetivo o treinamento do processamento temporal!

     Quem já é cadastrado no blog receberá automaticamente o link para download do áudio e o pdf com as orientações. Basta conferir sua caixa de e-mail! Quem ainda não é cadastrado, mas deseja receber o link para download desta atividade, basta cadastrar-se no blog. Corra! Pois disponibilizarei o áudio e as orientações de como utilizar o material somente até amanhã, dia 24/06/16!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Atraso de linguagem X Distúrbio de linguagem: Como diferenciar?




     Como você sabe quando uma criança tem um atraso ou um distúrbio de linguagem? Infelizmente, o que eu posso dizer é que nem sempre há uma resposta simples para esta pergunta!!
     Como sabemos, cada criança é única e afetada por fatores intrínsecos (ou seja, biológicos, como história familiar, peso ao nascimento, e / ou complicações pré-natais ou perinatais) e extrínsecos (ou seja, ambiental, incluindo o acesso aos cuidados de saúde, residência estável, etc). Cada criança encontra cada etapa do desenvolvimento de uma forma peculiar depois de experimentar diversas práticas. No entanto, existe definido as etapas de aquisição e desenvolvimento de fala e de habilidades linguísticas! Quando o desenvolvimento não é alcançado, ou obtido a uma taxa mais lenta do que esperado para a idade cronológica, questionamentos referentes ao desenvolvimento de fala e linguagem devem ser feitos!
     Um atraso de linguagem pode ser considerado um processo “mais lento” na aquisição de competências linguísticas em comparação com seus pares (mesma idade cronológica e intelectual). Uma criança com um atraso de linguagem pode apresentar um início mais lento do uso de uma habilidade de linguagem, atraso na taxa de progressão do processo de aquisição, atraso na sequência em que as competências linguísticas são aprendidas, ou todas as anteriores.
     Geralmente, o atraso de linguagem precoce pode ser caracterizado por menos de 50 palavras em 24 meses, algumas combinações de palavras em 30 meses, o uso limitado de gestos e sons para se comunicar, o jogo simbólico limitado, limitada compreensão do significado da palavra e incapacidade de seguir instruções verbais. Aproximadamente 50 a 70 % dessas crianças supostamente alcançarão as outras crianças e demonstrarão o desenvolvimento da linguagem normal, pré-escolar e escolar. No entanto, há um grupo de crianças que continuarão a demonstrar dificuldades persistentes na aquisição e utilização de competências linguísticas abaixo das expectativas para a idade cronológica que não podem ser explicados por outros fatores (por exemplo, baixa inteligência não-verbal, deficiências sensoriais ou transtorno do espectro do autismo) e pode ser identificada como tendo um distúrbio específico de linguagem.
     A Associação de Fonoaudiólogos dos EUA (ASHA) define o distúrbio de linguagem como um prejuízo significativo na aquisição e uso da linguagem através modalidades (por exemplo, a fala, linguagem gestual, ou ambos), devido a déficits na compreensão e / ou de produção em qualquer um dos cinco domínios (ou seja, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática). Segundo a ASHA, os distúrbios de linguagem são heterogêneos, e a natureza e gravidade dos distúrbios podem variar consideravelmente.
    Então, quais são as opções para lidar com atrasos e distúrbios de linguagem?

     Intervenção para um atraso de linguagem pode assumir várias formas:

1) Tratamento indireto e acompanhamento: Proporcionar atividades para pais e cuidadores para se envolver com a criança, tais como a leitura de livros e grupos de interação entre pais e filhos. Além disso, check-up com a família periodicamente para acompanhar o desenvolvimento da linguagem.

2) Intervenção direta, inclui: Atividades elaboradas pelo Fonoaudiólogo, geralmente desenvolvidas com a criança em consultório.

     Intervenção para um distúrbio específico de linguagem é com base no nível atual da criança quanto ao funcionamento da linguagem, perfil de pontos fortes e fracos e do funcionamento em “áreas afins”, incluindo audição, nível cognitivo e habilidades de produção da fala. O objetivo global da intervenção é estimular o desenvolvimento da linguagem e ensinar habilidades para melhorar a comunicação e acesso ao conteúdo acadêmico.

     Se você suspeitar de um atraso ou distúrbio de linguagem, é fundamental buscar a experiência de um Fonoaudiólogo para garantir a observação e intervenção adequada conforme necessário!!

     Abaixo deixo algumas referências que valem a pena a leitura!

American Speech-Language Hearing Association. Spoken Language Disorders. (Practice Portal). Retrieved 15/6/2016 from www.Practice-Portal/Clinical-Topics/Spoken-Language-Disorders.
Vinson, B.P. (2012). Preschool and School-Age Language Disorders. Clifton Park, NY: Delmar Cengage Learning.






terça-feira, 21 de junho de 2016

Dica de livro: Guia de treinamento fala, leitura, escrita e ortografia (volume 01)


Fonte: Livro Guia de treinamento fala, leitura, escrita e ortografia (vol 1)

      A dica de hoje do blog é o livro Guia de treinamento fala, leitura, escrita e ortografia (volume 1) da autora Fernanda Castelfranchi de Barros. Fernanda é Fonoaudióloga, graduada na PUCCAMP em 1979, especialista em motricidade orofacial (UNAERP, 2005) e Mestre em Educação (PUC GO, 2009). O livro escrito pela Fernanda Castelfranchi é fruto de mais de 30 anos de experiência em Fonoaudiologia clínica com crianças e adultos com dificuldades de fala, leitura e escrita.

Por que eu indico este livro?

     Eu trabalho bastante com terapia para o desenvolvimento da fala associado a atividades de estimulação do processamento auditivo e este livro tem me ajudado MUITO e eu conto o por que eu indico este livro!

Primeiro: O livro é dividido em grupos de palavras com determinados fonemas em posição inicial e medial. Estão disponíveis os fonemas e arquifonemas: M, N, NH, P, B, T, D, Q, G, F, V, s, S, Z, J, R, r, CH, L, LH. Esta organização ajuda muito e reduz o tempo de elaboração da terapia para o paciente. Antigamente eu tinha que selecionar os estímulos alvos a serem treinados, os desenhos e etc. Hoje basta localizar o fonema a ser trabalhado em terapia e traçar a estratégia de acordo com as características do paciente.

Segundo: Permite o treino de determinado som em frases. Por exemplo: O fonema “M” tem um grupo de frases para o treino de leitura.

Terceiro: Permite treinar a atenção auditiva ao som ausente do inventário, utilizando apoio visual.

Quarto: O conteúdo do livro permite utilizar as abordagens dos modelos de Ciclos Modificados e Oposições Máximas.

Quinto: Para quem trabalha com atividades de processamento auditivo tem uma parte bem importante constituída de frases que opõem sons vozeados e não vozeados (ex: p/b, t/d, q/g, etc).

Sexto: Ótimo material para apoiar o treinamento do r (tepe) e encontros consonantais com “r”.

     Enfim... Com todas estas características positivas, penso que o livro da Fernanda Castelfranchi só tem a acrescentar e contribuir para a eficiência e rapidez do treinamento de pessoas com dificuldades na fala! Vale a pena a aquisição!

Livro: Guia de treinamento fala, leitura, escrita e ortografia.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

#Audio 2: Atividade de treinamento auditivo para download



     Já está disponível para download o #AUDIO 2! Ele faz parte de uma série de 3 áudios que tem como objetivo apoiar o fonoaudiólogo nas suas atividades de treinamento auditivo! Quem é cadastrado no blog receberá automaticamente o link para download do áudio e o pdf com as orientações. Basta conferir sua caixa de entrada ou de spam do seu e-mail! Quem ainda não é cadastrado, mas deseja receber o link para download desta atividade, basta deixar seu e-mail nos comentários abaixo. Disponibilizarei gratuitamente o áudio e as orientações de como utilizar o material somente até amanhã, dia 17/06/16!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dicas de atividades para organizar o sistema lexical



     As dicas de hoje são 2 atividades que tem como objetivo organizar o sistema lexical de uma criança que tenha passado por avaliação fonoaudiológica e apresenta alterações na categorização semântica. Vamos aos materiais necessários para cada atividade e as orientações:

Atividade 1:

Materiais: Miniaturas de alimentos, animais, meios de transporte e etc. As miniaturas podem ser substituídas por figuras selecionadas pelo terapeuta.



Orientações: Iniciar o trabalho de categorização solicitando que a criança “separe/ arrume” objetos de categorias superordenadas (ex: animais x alimentos), para depois categorizar objetos da mesma categoria semântica, iniciando pelos co-hipônimos distantes (animais da fazenda x animais selvagens) e finalizando o trabalho com os co-hipônimos próximos (animais de estimação – cachorros x gatos).

Atividade 2:

Materiais: Blocos lógicos (Dica: em Belo Horizonte pode ser adquirido na Feira Hippie).
Orientações: Realizar atividades de categorização em que a própria criança deve criar suas categorias. Para esse trabalho, podem ser utilizadas peças de diferentes formas, cores e tamanhos e a criança deve organizá-las da maneira que achar mais pertinente. Durante todo o processo, o terapeuta deve auxiliar o paciente e questionar a lógica utilizada por ele.

Dicas de leitura para o Fonoaudiólogo:

Befi-Lopes, DM; Bastos, DA; Rodrigues, AA. Habilidade de organização hierárquica do sistema lexical em crianças com distúrbio específico de linguagem. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol., v.11,n.2,p.82-9,2006a.

Befi-Lopes DM; Gândara , JP; Felisbino, FS. Categorização semântica e aquisição lexical: desempenho de crianças com alteração de desenvolvimento de linguagem. Revista CEFAC, v.8, n.2, p.155-61,2006b.

* As informações fornecidas neste blog devem servir apenas de orientação geral para um fonoaudiólogo e jamais devem ser substituídas pela consulta com um fonoaudiólogo habilitado no diagnóstico e intervenção para o distúrbio de linguagem.


terça-feira, 14 de junho de 2016

Os sons que não se ouvem


Fonte Jornal Estado de Minas 12/06/2016


     Compartilharei hoje um texto que escrevi junto com o jornalista Augusto Pio e que foi publicado no Jornal Estado de Minas no Caderno de Saúde Bem Viver no dia 12/06/16. Segue o texto publicado:


Os sons que não se ouvem »

Estudos apontam que 5% das crianças em idade escolar têm alterações no processamento auditivo

Sintomas podem gerar dificuldades na fala ou para aprender e ser confundidos com dislexia

Augusto Pio - Estado de Minas Publicação: 12/06/2016


A audição é uma das vias de integração do indivíduo com o seu mundo, sendo responsável por inúmeros processos no seu desenvolvimento e em sua existência. A maneira como o sistema auditivo recebe, analisa e organiza aquilo que ouvimos é chamada de processamento auditivo. Este se refere à série de processos que envolvem a análise e interpretação do estímulo sonoro e pode ser definido como as operações mentais que o indivíduo realiza ao lidar com informações auditivas recebidas e que dependem de uma capacidade biológica inata e de experimentação no meio acústico. Porém, alguns tipos de doenças podem interferir nesse processo, como é o caso do distúrbio do processamento auditivo (DPA).

A fonoaudióloga, mestre e doutora em ciências aplicadas à saúde do adulto Pollyanna Barros Batista explica que, estudos feitos no ano passado, apontam que 5% das crianças em idade escolar têm alterações no processamento auditivo, resultando alterações de linguagem, dificuldades na fala ou para aprender, além das interações sociais. “O DPA, muitas vezes, é confundido com dislexia, transtorno do déficit de atenção, autismo e outras patologias”, ressalta Pollyanna, que, desde 2010, vem desenvolvendo pesquisas sobre o assunto e atualmente é autora do blog:http://pollyannabatistafonoaudiologa.blogspot.com.br.

De acordo com a American Speech-Language-Hearing Association (Asha), a mais conceituada associação de fonoaudiólogos dos Estados Unidos, o DPA é dificuldade apresentada pelo sistema nervoso auditivo, no processamento perceptual das informações auditivas, manifestadas pelo desempenho insatisfatório de uma ou mais habilidades auditivas. “São várias as causas do DPA em crianças, incluindo atraso maturacional, anomalias neuroanatômicas, lesões encefálicas ou alterações funcionais (sem lesão específica ou diagnosticada). Segundo a British Society of Audiology (2011), o DPA pode ser resultante de um evento pós-natal (trauma neurológico ou infecções), ocorrer devido a uma perda auditiva condutiva (resultante de otites repetitivas ou otosclerose), ou pode ser detectado na infância em indivíduos com audiometria normal e estes não apresentarem nenhuma etiologia ou potenciais fatores de risco”, esclarece Pollyanna.

“Já o DPA em adultos pode ser ocasionado por perdas auditivas não tratadas ou aquelas em que o indivíduo demora para se reabilitar. A demora para começar a usar aparelho auditivo, por exemplo, pode levar à doença.” Mas como identificar o DPA? Pollyana explica que, caso o indivíduo apresente a associação de algumas das queixas, é prudente procurar um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo especializado nessa área, para que providencie, além de avaliação das manifestações apresentadas, audiometria (exame de audição, que, geralmente, tem resultado normal nesses casos) e exame específico das habilidades auditivas (avaliação do processamento auditivo).


“Em casos de DPA diagnosticado, em virtude do impacto de alterações na audição, na comunicação e no sucesso acadêmico, é necessária intervenção rápida, por meio de programas baseados no treinamento auditivo e na melhora do sinal acústico, além do emprego de estratégias de linguagem, cognitivas e metacognitivas, os quais promoverão a plasticidade e a reorganização cortical. A estimulação das habilidades auditivas, que deve ocorrer no ‘treinamento auditivo’, é fundamentada nos princípios da neuroplasticidade, ou seja, na possibilidade que o cérebro tem de criar conexões como resposta às solicitações a que é submetido”, ressalta a especialista.


DIAGNÓSTICO


Pollyanna explica que, muitas vezes, é difícil perceber os sintomas do DPA. “Estes são mais evidentes na idade escolar, durante e após a alfabetização. É nessa fase que a criança recebe aumento da demanda linguística e o ambiente de aprendizado passa a ser menos controlado, tem mais competição. Por isso, a maior parte das crianças faz o diagnóstico correto após os 7 ou 8 anos. Alguns casos vêm para a avaliação com 12, 13 ou até 15 anos e com queixas de dificuldades escolares há anos. Como os sintomas são parecidos, o quadro pode se confundir ou estar presente concomitantemente com atrasos de linguagem, dislexia e déficit de atenção. Em adultos e idosos, em geral, o diagnóstico é feito após uma adaptação de prótese malsucedida ou com baixo rendimento, nos casos em que mesmo com o uso do melhor aparelho possível, o indivíduo ainda se queixa de dificuldade de escuta.”


No caso de crianças e adolescentes, é preciso ficar atento ao seguinte: se a pessoa sente incômodo com ruído ou sons intensos, atrasos ou distorção na fala, como a produção dos sons “r” e “l”, não conseguir se lembrar das instruções recebidas, desatenção, dificuldades em aulas de música, na leitura fluente de um texto, na escrita com respeito às regras de pontuação, no reconhecimento sonoro de uma sílaba átona ou tônica, cometer muitos erros gramaticais, inverter letras ao escrever (b, d, p, q), troca letras com sons parecidos (p/b, t/d, f/v, m/n), ter letra feia, não entender bem as piadas e apresentar baixo rendimento escolar. Em adultos, o incômodo com ruído ou sons intensos, dificuldade para identificar sons verbais e não verbais na presença de outros sinais acústicos competitivos (ruído), problemas para compreender sons verbais acusticamente incompletos e problemas para recordar a ordem de ocorrência dos eventos acústicos.




  

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Temas 13 a 17 de junho!

     Esta semana o blog está recheado de materiais e textos bacanas! O primeiro "Os sons que não se ouvem" é um texto que escrevi junto com o jornalista Augusto Pio e que foi publicado no jornal Estado de Minas no dia 12/06/2016. O segundo texto serão dicas de organização do sistema lexical que você pode fazer utilizando miniaturas ou os blocos lógicos! Na quinta tem o #Audio 2! Atividade que você poderá baixar gratuitamente! Cadastre-se no blog! É fácil e rápido!


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Audio #1: Atividade de treinamento auditivo para download



     Esta semana tem novidade no blog! Elaborei 3 exercícios auditivos no violino que tem como objetivo o treinamento do processamento temporal! Esta semana disponibilizarei o #AUDIO 1. Quem já é cadastrado no blog receberá automaticamente o link para download do áudio e o pdf com as orientações. Basta conferir sua caixa de e-mail! Quem ainda não é cadastrado, mas deseja receber o link para download desta atividade, basta deixar seu e-mail nos comentários abaixo. Corra! Pois disponibilizarei o áudio e as orientações de como utilizar o material somente até amanhã, dia 10/06/16!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Dica de atividade para trabalhar pronomes interrogativos associada a atividade de leitura e escrita.



     Olá! Hoje vou compartilhar uma atividade que deu super certo com uma paciente que atendo que no ano passado tinha 7 anos. Ela já conseguia ler textos com extensão adequadas para a idade, sem trocas fonológicas, porém havia uma grande dificuldade de compreensão de pronomes interrogativos! Isso prejudicava muito no convívio social e escolar. Veja a atividade que elaborei e desenvolvi durante várias semanas (obs: cada semana eu levava um texto diferente para a terapia, ok?):

1º) Selecionei um texto de acordo com o desempenho acadêmico e aproximei dos temas que ela mais gostava (ela adorava animais, então no primeiro dia de atividade eu levei um texto sobre o leão!).
2º) Trabalhava inicialmente um desenho (atividade de colorir) e introduzia o tema do texto. Não se esqueça de realizar esta tarefa envolvendo a transferência inter-hemisférica pelo corpo caloso, ok?
3º) Trabalhava a decodificação (leitura correta das palavras) e atenção a pontuação.
4º) Introduzia a atividade de pronomes “Respostas escondidas”. Esta atividade envolve os pronomes interrogativos (quem, quando, etc), favorece a compreensão e é uma atividade interativa e divertida! 

     Veja pela foto que postei que com base no texto o terapeuta pode selecionar as cartelas, colar e pedir ao paciente que escreva a resposta por baixo. Dá muito certo! Vale a pena avaliar se esta atividade é adequada para o seu paciente! Boa terapia! Ah! Segue o link para o download gratuito das cartelas
http://www.lipitipi.org/2015/03/atividade-compreensao-de-texto.html






terça-feira, 7 de junho de 2016

Pacientes com alterações neurológicas podem se beneficiar do treinamento auditivo?



    Nos últimos 6 anos eu tive uma experiência incrível no Centro de Referências em Neurofibromatoses (HC – UFMG) que foi estudar o processamento auditivo em pacientes que tem uma doença genética chamada Neurofibromatose Tipo 1 (NF1). Além dos acometimentos clínicos esta doença ocasiona algumas repercussões fonoaudiológicas tais como: dificuldades de aprendizagem, fala, atrasos de linguagem e alterações no processamento auditivo.
     Para amenizar e melhorar a qualidade de vida destes pacientes, que apresentam alterações neurológicas, eu e alguns colaboradores desenvolvemos um projeto que tinha como objetivo promover o treinamento auditivo nos pacientes com NF1. Após o término do meu doutorado podemos concluir que o treinamento auditivo é eficaz e que os benefícios adquiridos se mantem!
     O treinamento auditivo é considerado um conjunto de tarefas que são designadas para ativar o sistema auditivo e os sistemas associados, de maneira que sua base e o comportamento auditivo associado sejam alterados de forma positiva. Com o treinamento auditivo há uma melhora nas funções auditivas centrais, devido à plasticidade do sistema nervoso devido a dois mecanismos de reorganização cerebral: o primeiro, relacionado a “neurônios reserva”, que têm a função de substituir neurônios danificados, e o segundo que compreende a formação de novas conexões neurais.
     Portanto pacientes com alterações neurológicas podem sim se beneficiar do treinamento auditivo, haja vista que há evidências científicas que o treinamento auditivo pode melhorar vários processos auditivos, promovendo uma reorganização do substrato neural auditivo em indivíduos com alterações associadas a disfunções no SNAC, tais como afasia, distúrbios progressivos degenerativos, distúrbio do processamento auditivo e dificuldades de aprendizagem.
     Abaixo deixo uma dica muito bacana para quem quiser ler mais a fundo sobre este tema!

Weihing J, Chermak GD, Musiek FE. Auditory training for central auditory processing disorder. Semin Hear. 2015;36(4):199-215.




quinta-feira, 2 de junho de 2016

5 atividades de processamento auditivo que você pode fazer sem gastar um centavo!



     Muitos pais e professores me questionam sobre atividades adicionais para fazer com seus filhos ou alunos que têm dificuldades de processamento auditivo devido ao distúrbio do processamento auditivo, transtorno do déficit de atenção, dislexia, dificuldades de aprendizagem ou autismo. Então eu selecionei “5 top atividades” que você pode fazer sem gastar um centavo utilizando basicamente o que você já tem em casa ou na escola!

Atividade 1: Qual som o professor fez?
     Peça as crianças que fechem os olhos e identifiquem os sons que o professor faz. Exemplos de tais sons incluem deixar cair um lápis, arrancar um pedaço de papel, usar o grampeador, quicar uma bola, apontar um lápis, bater no vidro da janela, abrir a janela, apagar as luzes, folhear um livro, cortar com a tesoura, abrir uma gaveta ou escrever no quadro. Esta atividade estimula o reconhecimento de sons não-verbais.

Atividade 2: Perto ou longe?
     Com os olhos fechados, a criança deve julgar que parte do quarto um som está vindo, e se é perto ou longe. Esta atividade estimula a localização sonora, reconhecimento de intensidade sonora e nomeação (transferência inter-hemisférica).

Atividade 3: Consoantes iniciais.
     Peça para a criança contar qual palavra começa como “mola”. Diga três palavras como “astronauta, montanha, bicicleta”. Esta atividade estimula discriminação, atenção auditiva e consciência fonológica.

Atividade 4: Jogo da cabra-cega
     Uma criança no grupo diz algo como um som de um animal, sentença, perguntas ou frase. A criança com os olhos vendados tem que adivinhar quem é. Esta atividade estimula a habilidade de reconhecimento de sons verbais.

Atividade 5: Atenção para os sons
     Peça a criança para fechar os olhos ou sentar-se de costas. Bata palmas, toque um tambor, quique uma bola, etc. Peça a criança para contar quantos sons foram feitos ou peça para repetir os sons feitos. O padrão rítmico também pode ser pedido! Esta atividade estimula detecção, discriminação e memória para sons não verbais.

Gostou destas atividades? Compartilhe! Até a próxima semana!!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A importância de leitura no desenvolvimento da linguagem do bebê


Foto: Renata Narciso

     A interação entre os pais e o bebê durante a leitura pode ser uma razão para que seja associada ao desenvolvimento da linguagem de acordo com o estudo desenvolvido na University of Lowa e publicado no periódico Language Learning and Development.
     Neste estudo observaram mães e bebês de 12 meses de idade engajando-se em diferentes tipos de situações, incluindo a leitura de livros. A pesquisadora Julie Gros-Louis e sua equipe descobriram que não só os bebês fazem mais sons da fala durante a leitura do que quando se brinca, mas também que as mães são mais sensíveis aos sons que seus filhos fazem durante a leitura do que durante as outras atividades.
     Os pesquisadores analisaram 34 mães interagindo com os seus bebês de 12 meses em três sessões de 10 minutos, cada uma envolvendo um tipo diferente de atividade: fantoches, brinquedos e leitura de livros. As respostas de cada criança foram gravadas e depois analisadas
    Os resultados sugerem que além de aconselhar os pais a ler livros para seus filhos, os pais devem concentrar-se intensamente nos comportamentos desempenhados pelo bebê e ser responsivo aos sons realizados pelo filho.
     Mais detalhes sobre este estudo podem ser obtidos no site da Dra. Julie Gros-Louis: http://psychology.uiowa.edu/people/julie-gros-louis

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