quarta-feira, 18 de maio de 2016

Como a “Prova de Estimulabilidade de Fala” pode contribuir para uma melhor conduta clínica?

     É muito comum na rotina do Fonoaudiólogo receber crianças com alterações na fala, caracterizadas pela inadequação na produção, percepção ou organização dos sons. Há atualmente diversos instrumentos de avaliação, como a Prova de Fonologia (Wertzner, HF, 2004), Avaliação de Inconsistência de Fala, Avaliação de Consciência Fonológica (Pereira, LD; 2004) e a Prova de Estimulabilidade de Fala (Castro, MM; Wertzner, HF; 2012).
     Hoje discutirei com maior ênfase a “Prova de Estimulabilidade de Fala”. Esta avaliação foi desenvolvida por Márcia Castro, com a orientação da renomada professora Haydeé Wertzner. Quando a criança com transtorno fonológico apresenta inventário fonético incompleto, há a indicação da “Prova de Estimlabilidade” para complementar o diagnóstico. A medida da estimulabilidade de fala visa detectar se os sons ausentes do inventário fonético da criança podem ser produzidos por ela por meio de imitação. Está relacionada à execução dos diferentes gestos necessários para a produção dos sons da língua.
     A estimulabilidade pode esclarecer a presença ou não de dificuldades de produção articulatória de um som ausente no inventário fonético. A criança mostra-se estimulável quando apresenta déficit na representação mental do som (em função da ausência do fonema em seu sistema fonológico), mas consegue produzi-lo a partir de um modelo imitativo. Por outro lado, a criança que apresenta uma dificuldade específica em produzir os gestos articulatórios necessários para esses sons mostra­-se não estimulável.
     A verificação da estimulabilidade de fala é muito importante durante a etapa de avaliação de fala e, consequentemente, para a seleção do som alvo que será trabalhado no início do processo terapêutico, principalmente nos casos de maior gravidade (em que há a substituição/omissão de vários sons).
     Nos Estados Unidos a estimulabilidade já é empregada com segurança na avaliação das alterações de fala por 95% do fonoaudiólogos! Portanto, deixo abaixo a sugestão de referências caso você queira acessar os protocolos e as orientações para as avaliações. Bom estudo!

Referências:

Castro, MM; Wertzner, HF. Estimulabilidade: medida auxiliar na identificação de dificuldade na produção dos sons. J. Soc. Bras. Fonoaudiol., São Paulo, v.24,n.1,p.49-56,2012.

Castro, MM. Descrição da estimulabilidade e da consistência de fala em crianças com transtorno fonológico. 2009. Tese (doutorado). Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.

Skahan SF, Watson M, Lof GL. Speech-language pathologists’ assessment practices for children with suspected speech sound disorders: results of a national survey. Am J Speech Lang Pathol. 2007;16(3):246-59.

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