quarta-feira, 20 de abril de 2016

Sinais de alerta na escola para o Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA)


Distúrbio do processamento auditivo na escola Pollyanna Batista


Explicar ao professor quais os sinais de alerta de uma possível alteração no processamento auditivo é um papel importantíssimo do fonoaudiólogo. Atualmente estudos internacionais (1, 2) apontam que 5 % das crianças em idade escolar apresentam o diagnóstico de distúrbio do processamento auditivo central com consequências significativas para a linguagem expressiva e/ou compreensiva, e que muitos destes casos são confundidos com dislexia, autismo ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Seguem os sinais de alerta para orientação de professores e coordenadores de escolas:

Incomodo com ruído ou sons intensos: Deve-se estar atento ao barulho existente em sala de aula, que muitas vezes é maior do que se imagina (alunos conversando, o arrastar das cadeiras, a janela aberta que traz sons externos, etc). Crianças que ficam muito distraídas quando estão inseridas nestes locais com muito barulho e que pedem constantemente para repetir uma informação “O que?”, “Ah”, “Repete”, merecem atenção do professor para o DPA.

Atraso ou distorção na fala, como por exemplo a produção dos sons “r” e “l”: O atraso na produção destes sons pode ocorrer por outras causas, mas também por um distúrbio do processamento auditivo. Tal fato é justificado pelo fato de que não é fácil para o ouvido humano perceber a presença destes sons que, quando comparados com outros da nossa Língua, são acusticamente muito rápidos e, portanto, podem muitas vezes não ser literalmente ouvidos, percebidos e discriminados pelo ouvido.

Não consegue lembrar-se das instruções recebidas: Crianças que ouvem uma determinada informação e não cumprem parte, ou muitas vezes retornam e pedem a repetição da ordem que lhes foi atribuída merece atenção dos professores. Isso pode ocorrer por uma falha na memória ou na ordenação da informação auditiva que lhes foi atribuída. Como consequência pode-se observar uma desorganização na estruturação do texto ou mesmo na troca de letras na escrita de palavras.

Crianças desatentas: Estar constantemente ouvindo informações parece algo simples para quem não tem um distúrbio do processamento auditivo. Entretanto, para crianças com esta dificuldade, significa um esforço adicional constante que muitas vezes não se sustenta por muito tempo. Como consequência do esforço para ouvir e perceber tudo o tempo todo, geralmente o que se observa são crianças que iniciam o dia na escola com bom rendimento e que, ao longo de um determinado tempo desligam-se completamente e passam a estar no “mundo da lua”.

Dificuldades na leitura fluente de um texto, na escrita com respeito às regras de pontuação, no reconhecimento sonoro de uma sílaba átona ou tônica, na memorização de músicas: Estes são exemplos de sinais de uma criança com dificuldade em reconhecer as diferenças acústicas temporais de tempo, duração e frequência de um estímulo acústico. Isto pode ocorrer pela falta de uma boa prosódia na leitura, na fala com boa fluência, percepção do uso da pontuação, capacidade de ouvir internamente o momento da pausa e perceber sua importância na locução e compreensão de um texto.

Acredito que professores orientados contribuirão para que diversas crianças sejam diagnosticas em idade precoce, e seja inserida em um programa de intervenção planejado por um Fonoaudiólogo. Desta forma, o diagnóstico ajuda no prognóstico, ou seja, a idade e o correto ajustamento das incorreções facilitam a rápida melhora de todos os efeitos.

(1) Nunes, CL. Processamento auditivo:conhecer, avaliar e intervir. Lisboa: Papa-Letras, 2015.
(2) Iladou V, Bamiou DE, Kaprinis S, Kandylis D, Kaprinis G. Auditory processing disorder in children suspected of learning disabilities - a need for screening? Int. J. Pediatr. Otorhinolaryngol., 2009.





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