quinta-feira, 28 de abril de 2016

Primeiros passos para o treinamento do mecanismo de discriminação sonora em crianças menores de 10 anos



Ano passado comecei um novo desafio: aprender a tocar violino! Sempre tive vontade de tocar algum instrumento, mas os estudos e a correria do dia-a-dia postergaram este desejo. A partir do primeiro contato com o violino percebi que aquele conteúdo das aulas de música poderiam me ajudar nas terapias de processamento auditivo, principalmente nas terapias que envolviam o mecanismo fisiológico de discriminação sonora. Há no mercado vários materiais ótimos para estimulação deste mecanismo importantíssimo, mas eu particularmente, tinha muita dificuldade de utiliza-los nas primeiras terapias com pacientes menores de 10 anos. Como no primeiro contato com o paciente eu o conhecia muito pouco, eu acabava começando a intervenção com um estímulo sonoro muitas vezes muito difícil, o que acabava frustrando muito o paciente pela dificuldade que era para realizar a atividade. A partir do momento que comecei a estudar violino, comecei a utiliza-lo e percebi que o paciente ficava mais motivado e eu conseguia passar mais “emoção” e intenção para a atividade. Com o violino eu conseguia ajustar os sons “na hora”, conseguia deixar a tarefa mais fácil ou mais difícil a partir das respostas do paciente, diferente de utilizar os materiais disponíveis no mercado, que já tem a configuração fixada. Veja como realizei o treino do mecanismo fisiológico de discriminação de frequência com um paciente com 7 anos nas primeiras sessões:

1) Primeiro ensinei ao paciente os conceitos de “grosso” para os sons graves e o conceito de “fino” para os sons agudos. Fiz isso por meio de um desenho de um “lápis grosso” e um “lápis fino”, no qual o paciente tinha que colorir.


2) Aprendido os conceitos de “fino” e “grosso” este paciente tinha que desenhar em uma folha A4 os conceitos aprendidos.

3) Com os conceitos fixados eu apresentei o som mais grave e o mais agudo do violino e o paciente tinha que apontar no desenho o “lápis grosso” ou o “lápis fino”. Tarefa que envolve principalmente o hemisfério direito do cérebro.

4) Quando o paciente conseguiu realizar com êxito as etapas acima eu solicitei que nomeasse o som ouvido em som “grosso” ou som “fino. Tarefa que envolve nomeação e estimula a comunicação inter-hemisférica e também o hemisfério esquerdo.

* As informações fornecidas neste blog devem servir apenas de orientação geral para um fonoaudiólogo e jamais devem ser substituídas pela consulta com um fonoaudiólogo habilitado no diagnóstico e intervenção para o distúrbio do processamento auditivo.

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