sábado, 9 de dezembro de 2017

Dia 9 de dezembro – Dia do Fonoaudiólogo
Processo Histórico


Antes da vinda da Família Real para o Brasil não havia qualquer modelo de assistência à saúde direcionado à população. A atenção a saúde era realizada por meio de plantas e infusões.

Com a chegada da Família Real em 1808 foi necessário organizar um sistema sanitário, então D. João VI funda o colégio Médico e a Escola de Cirurgia no Rio de Janeiro. Até 1850 ações de saúde foram limitadas a: saneamento mínimo e controle dos portos.

Com a instauração da República, o então presidente Rodrigues Alves nomeia o médico Oswaldo Cruz para medidas importantes de epidemias e Carlos Chagas para reestruturar o Departamento Nacional de Saúde em 1920.

Em 1923 foi aprovada a Lei Eloi Chaves que institui as Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP). Em 1930 com Getúlio Vargas criam-se os ministérios da educação e as CAPs são substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP). Em 1941 ocorre a Reforma Barros Barreto, com a criação de órgãos de combate as endemias, instituição de órgãos normativos e criação de programas de abastecimento de água e esgoto.

Em 1967 cria-se o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) e posteriormente em 1978 substituído pelo INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social). Em 1987 estabelece-se o Sistema Único e Descentralizado de Saúde (SUDS) que em 1988 seria substituído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) promulgado na Constituição Federal.

Com a instauração do SUS a Fonoaudiologia teve mais visibilidade principalmente nas secretarias de saúde e da educação, porém os atendimentos eram clínicos individuais, voltados essencialmente para a reabilitação. Pela formação clínica era difícil ao fonoaudiólogo propor e realizar ações de cunho coletivo, então os profissionais eram direcionados a ambulatórios de saúde mental e hospitais.

Com o tempo os fonoaudiólogos passaram a ser contratados pelas secretarias de saúde e inseridos no atendimento na atenção primária, mas o atendimento continuou a ser organizado sob a ótica clínico-reabilitadora que não correspondia às bases doutrinárias do SUS.

Sentiu-se então a necessidade, por parte dos profissionais e instituições de ensino, da busca por novos conhecimentos e conceitos que reorientassem a organização e as ações dos serviços de fonoaudiologia à proposta do sistema de saúde vigente. Com isso conceitos e práticas começaram a ser revistos e alguns fundamentos epidemiológicos passaram a ser incorporados. O fonoaudiólogo passou a assumir novos posicionamentos, participando de forma mais efetiva na construção do SUS.

A inserção e o crescimento do fonoaudiólogo na saúde coletiva foi fortalecido por algumas legislações (RENAST – Rede Nacional de Atenção Integral da Saúde do Trabalhador, e a Política Nacional de Saúde Auditiva).

O Conselho Federal de Fonoaudiologia, junto aos Conselhos Regionais divulgaram em 2007 a Classificação Brasileira de Procedimentos em Fonoaudiologia ampliando a visibilidade do Fonoaudiólogo no SUS.

O grande “salto” da Fonoaudiologia no SUS foi em 2008, devido a Portaria 154 do MS de 24 de janeiro que autorizou a implementação dos Núcleos de Apoio a Saúde da Família (NASF). Deste período em diante a Fonoaudiologia tem muito a se orgulhar! Está inserida em políticas e práticas de promoção a saúde, redes de atenção saúde, vigilância em saúde, planejamento e gestão, cuidado na produção de saúde, políticas públicas nacionais de aleitamento materno e saúde do recém-nascido, além de políticas públicas de educação.

Temos muito a que nos orgulhar! Construímos uma base sólida e hoje estamos inseridos nas diversas instância de atenção e promoção de saúde! Parabéns Fonoaudiólogos por todas estas conquistas!


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Feliz e PREOCUPADA


Hoje, após o almoço me deparei com uma situação que ao mesmo tempo me alegrou mas também me PREOCUPOU

Estava assistindo ao MGTV 1ª Edição conduzido para competente jornalista Isabela Scalabrini quando ela anunciou que o tema escolhido pelo público para ser discutido na entrevista esta semana seria sobre distúrbios de linguagem

Neste momento meu coração deu pulos de alegria, vibrei, fiquei feliz nas alturas! Sei como é difícil mídias importantes abordarem o tema e também sei que a população precisa ser orientada sobre os distúrbios de linguagem.

Quando a Isabela começou a falar “muitas crianças demoram a falar, trocam letras, tem dificuldades para elaborar frases, os distúrbios de linguagem como a gagueira preocupam muito os pais”, logo pensei: “Quem será o fonoaudiólogo que será entrevistado?”, “Será que eu o conheço?”, “Que máximo este tema ser abordado”. 

Fiquei mega feliz...

Com isso veio o anuncio da pessoa a ser entrevistada: uma psicopedagoga. ABALEI neste momento, mas persisti vendo a entrevista. Sei que uma equipe interdisciplinar (ou multidisciplinar) composta por psicopedagogos, psicólogos, neurologistas, oftalmologistas, otorrinolaringologistas e FONOAUDIÓLOGOS é importante para a condução de casos envolvendo dislexia, dificuldades de leitura, dificuldades de escrita, fala e gagueira.

O que eu quero acrescentar a esta entrevista é: O FONOAUDIÓLOGO é o profissional indicado para diagnosticar e conduzir o processo terapêutico envolvendo os distúrbios da comunicação como trocas fonéticas e fonológicas, dislexia, disgrafia, disortografia, discalculia e a GAGUEIRA.

O FONOAUDIÓLOGO não pode ser esquecido!! Ele é de extrema importância para o sucesso terapêutico!!


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Transtorno de processamento auditivo em adultos



Como o transtorno do processamento auditivo impacta a vida e o que você pode fazer?

O transtorno de processamento auditivo em adultos geralmente é confundido com uma perda auditiva. Geralmente as pessoas ficam surpresas, quando recebem o resultado da audiometria e é "normal" e, no entanto, elas sabem que não estão "ouvindo" com precisão, particularmente em situações sociais onde há ruído de fundo.

O transtorno de processamento auditivo em adultos é um déficit no processamento das informações auditivas. É um problema auditivo não explicado pela perda auditiva. Além de ouvir, o transtorno do processamento auditivo pode afetar a leitura, a realização de testes e o funcionamento geral do dia a dia.

Reconhecendo o transtorno de processamento auditivo

Muitos adultos mantem o transtorno do processamento auditivo durante toda a vida. Eles podem ter tido dificuldades em ler, manter-se na aula e / ou ouvir em situações ruidosas, mas nada tão grave que eles pensaram que era necessário agir.

E isso acontece até que eles precisam melhorar suas habilidades de leitura ou realização de testes para dar o próximo passo na carreira, ou até que envelheçam e um “pequeno” problema no processamento auditivo “cresce” e, portanto, tem mais impacto em suas vidas diárias. À medida que envelhecemos, o sistema nervoso auditivo se torna um pouco menos flexível, o que significa que a habilidade de escuta e processamento, especialmente com o ruído de fundo, é mais desafiadora.

Tratamento para dificuldades de processamento auditivo em adultos

À medida que aprendemos mais sobre o transtorno do processamento auditivo em adultos e crianças, mais opções de intervenção se tornaram disponíveis. Isso inclui modificações ambientais, como usar um sistema de escuta de FM. Além disso, existem tratamentos com foco na neuroplasticidade que "aproveitam" a capacidade do cérebro para melhorar a qualquer idade. Procure um fonoaudiólogo! Ele poderá te orientar melhor sobre isso!


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Habilidades auditivas, processamento fonológico, inteligência e suas relações com a leitura de escolares


Olá!

Dia 24/10 tive a oportunidade de acompanhar a defesa de doutorado da fonoaudióloga Hellen de Oliveira Valentim Campos que teve como orientação o professor Dr. Rui Rothe-Neves e coorientação da professora Dra. Luciana Mendonça Alves.

O estudo da fonoaudióloga Hellen teve como objetivos principais verificar como as habilidades de processamento auditivo temporal (PAT), processamento fonológico interagem entre si e com a leitura de escolares falantes do português, assim como verificar se nessa população a inteligência se correlaciona com a leitura.

Os métodos utilizados envolveram a aplicação de tarefas específicas para a avaliação de tais habilidades em uma amostra de escolares do 3º ao 5º ano do ensino fundamental.

Os achados revelaram que a habilidade de leitura correlacionou-se diretamente com a consciência fonológica e o acesso lexical e indiretamente com o PAT, via consciência fonológica. A inteligência não esteve correlacionada a nenhuma das tarefas de leitura.

Estes resultados corroboram o papel das habilidades de processamento fonológico e PAT sobre a leitura e reforçam a importância da estimulação dessas habilidades em crianças pré-escolares e escolares, com o intuito de promover o desenvolvimento adequado da competência leitora, assim como podem fomentar as intervenções terapêuticas na população com dificuldade de leitura.

O estudo da fonoaudióloga Hellen, sem sombra de dúvidas, é importantíssimo para a compreensão dos mecanismos envolvidos na habilidade de leitura. Com certeza indico sua leitura quando estiver disponível na biblioteca digital da UFMG (Tese: “Habilidades auditivas, processamento fonológico, inteligência e suas relações com a leitura de escolares”) e o seu artigo (que logo logo será publicado!).


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Toda criança que não aprende tem algum problema?



Infelizmente, dentro da nossa cultura educacional, a criança que tem dificuldades para aprender sempre é vista como tendo algum problema em nível individual, como se ela sempre fosse a culpada pelas limitações que possa apresentar. Porém, esta crença não corresponde à verdade. Estima-se que apenas cerca de 10% das crianças possam ter algum tipo de problema intrínseco, que possa prejudicar a aprendizagem, como nos casos, por exemplo, de dislexia, discalculia, deficiência mental ou autismo. Na realidade, a maior parte das crianças que estão com dificuldades de aprendizagem podem estar refletindo problemas de outra natureza, como limitações nas oportunidades para aprender, déficits pedagógicos ou metodológicos, problemas de natureza socioeconômica e assim por diante. É importante saber distinguir os verdadeiros e os falsos problemas de aprendizagem, uma vez que eles podem se manifestar de modos semelhantes. O fonoaudiólogo educacional, juntamente com a equipe educacional, colabora com a identificação precoce dos verdadeiros problemas de aprendizagem.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O Cloze como Técnica de Diagnóstico e Remediação da Compreensão em Leitura



A deficiência em compreensão em leitura tem sido apontada como um dos principais obstáculos para a efetivação do processo de ensino-aprendizagem. Inúmeras pesquisas têm demonstrado a importância da compreensão em leitura para um desempenho escolar bem sucedido.

Alguns aspectos relacionados ao texto têm sido apontados como fatores que interferem na sua compreensão e comprometem o desempenho escolar. Entre eles, os mais frequentes são o uso de palavras incomuns, o número de sílabas utilizadas, o tamanho das sentenças, a presença de categorias gramaticais mais difíceis, a complexidade da estrutura gramatical e a complexidade das ideias nele contidas.

Vários autores chamam a atenção para as características dos leitores que seriam “dificultadoras” da compreensão da leitura. Entre elas, destacam-se as falhas no processo de decodificação, as carências de vocabulário, leitura oral pobre, deficiência de integração das informações e de memória, falta de estratégias de aprendizagem adequadas.

Outro aspecto relevante que tem sido ressaltado refere-se à falta de motivação para a leitura, outra característica frequentemente associada aos maus leitores. Verifica-se que um círculo vicioso é estabelecido, visto que aqueles que têm dificuldade para ler evitam as situações de leitura. Dessa forma, não conseguem obter a prática necessária para ler fluentemente, o que leva à diminuição da motivação e à relutância para a leitura. Tal situação ocorre em todos os níveis de escolarização.

Estudos estrangeiros têm demonstrado que a escola não tem atuado como fonte de incentivo para o desenvolvimento adequado do comportamento de ler. No Brasil a situação também não é diferente e os estudiosos da área têm chamado a atenção para o pouco que a escola contribui para o desenvolvimento do interesse pela leitura, bem como para a formação do leitor. Na maioria das vezes, a leitura feita na escola é utilizada apenas como recurso para o ensino gramatical e o treino ortográfico, predominando o distanciamento de tais práticas com o contexto da vida do aluno.

O sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita, bem como a posterior autonomia na leitura tem sido associada à interação dos pais com a escola e, especialmente, com o envolvimento deles nas práticas cotidianas de letramento. Particularmente a leitura de histórias infantis pelos pais tem se mostrado como um evento relevante para o interesse da criança por atividades de leitura e ao sucesso escolar.

No entanto, o que se observa é que as crianças passam pela escola sem ganhar o necessário domínio da leitura. Considerando que a escola é a instituição formalmente incumbida de fornecer às pessoas o acesso às diferentes fontes de informação, garantindo-lhes o necessário crescimento intelectual e experiencial, é lamentável verificar-se que tal papel não vem sendo adequadamente cumprido. Assim, a busca de soluções alternativas que melhorem a qualidade do ensino ministrado nas escolas é urgente e deve ser direcionada para a conciliação das práticas educativas vigentes com as mais recentes contribuições da ciência, com o aproveitamento de recursos que podem ser facilmente utilizados pelos professores e que sejam economicamente acessíveis.

Nessa direção, o procedimento de Cloze tem se destacado pela sua utilidade tanto para o diagnóstico como para o desenvolvimento da compreensão em leitura. Além de unir os aspectos de praticidade e economia de tempo e recursos, várias pesquisas têm demonstrado sua eficácia no alcance dos objetivos pretendidos.


O Cloze como técnica de diagnóstico e desenvolvimento da compreensão em leitura

Tal como proposto por Taylor em 1953, o Cloze consiste na organização de um texto, do qual se suprimem alguns vocábulos e se pede ao leitor que preencha os espaços com as palavras que melhor completarem o sentido do texto. A preparação do texto de Cloze segue regras que variam em função do objetivo para o qual ele será utilizado. Mais frequentemente são usados como parâmetros a omissão sistemática de palavras num sistema de razão, por ex. todo 5º, 7º ou 10º vocábulo, a supressão de uma dada categoria gramatical (adjetivos, substantivos, verbos, entre outras) ou ainda a omissão aleatória de 20% dos vocábulos do texto.

A maioria dos estudos se vale de uma dessas regras, dentre outras, para a organização do texto de Cloze, havendo também diferenças em relação a sua apresentação. Geralmente é apresentado por escrito, sendo a palavra suprimida substituída por um traço, que poderá ser de tamanho sempre igual, tal como proposto inicialmente por Taylor (1953), ou ainda por um traço proporcional ao tamanho da palavra omitida, como sugerido por Bormuth (1968), justificando que dessa forma os resultados obtidos apresentariam umíndice mais alto de correlação com outras medidas de compreensão em leitura.

Desde que foi introduzido, o procedimento de Cloze tem sido utilizado como material em pesquisas diversas. Assim, pesquisadores da área têm recorrido a esse instrumento para avaliar a influência da posição sintática das palavras na sentença, bem como o valor do conhecimento prévio na compreensão oral e escrita.

Ao lado disso, pesquisas sobre a legibilidade de textos e suas características linguísticas tem sido objeto de interesse dos estudiosos do tema e consideram que o emprego do Cloze como técnica de desenvolvimento da habilidade de leitura está pautado na visão da compreensão como um processo que exige a interação entre o leitor e o escritor do texto, na forma de um contrato implícito entre o esforço do autor para se comunicar e o do leitor em entender a mensagem. Essa natureza interativa do processo de compreensão salienta a importância das pistas gramaticais e semânticas do texto, bem como dos padrões de linguagem e do conhecimento prévio sobre o assunto. Assim, o Cloze, como tarefa que envolve tanto as expectativas do leitor como as pistas do texto, tem sido visto como um instrumento apropriado para a avaliação e o desenvolvimento da compreensão em leitura.

Abaixo deixo algumas sugestões de leitura e materiais para a intervenção:

Artigos:

Mota MMPE, Santos AAA. O Cloze como instrumento de avaliação de leitura nas séries iniciais. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 18, Número 1, Janeiro/Abril de 2014:135-142.

Santos AAA. O Cloze como Técnica de Diagnóstico e Remediação da Compreensão em Leitura. Interação em Psicologia, 2004, 8(2), p. 217-226.

Santos AAA, Sisto FF, Noronha APP. TONI 3 - Forma A e Teste de Cloze: Evidências de Validade. Psicologia: Teoria e Pesquisa Jul-Set 2010, Vol. 26 n. 3, pp. 399-405.

Livro para intervenção:

Alliende F, Condemarin M, Chadwick M, Milicié N. Compreensão da leitura (volumes 1, 2, 3) - Fichas para o desenvolvimento da compreensão da leitura. Editorial Psy II.


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